Um proprietário locador que alugava um estúdio classificado como G em 2024 viu seu imóvel reclassificado como E após o recálculo do DPE que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. Essa mudança, relacionada à modificação do coeficiente de conversão da eletricidade em energia primária (passando de 2,3 para 1,9), alterou diretamente sua estratégia: em vez de vender com prejuízo, ele mantém o imóvel e continua a alugá-lo.
Esse tipo de situação afeta cerca de 850 000 imóveis reclassificados em nível nacional. O recálculo do DPE redesenha o mapa das casas ineficientes em termos de energia na França e impacta as decisões de compra, venda e renovação muito além dos próprios locadores. Para acompanhar as notícias imobiliárias no Actu Immobilier, observa-se que esse dado permanece subexplorado nas análises clássicas do mercado.
Novo DPE 2026: impacto concreto nos preços e na estratégia dos proprietários
A mudança do coeficiente de 2,3 para 1,9 reflete melhor o caráter descarbonizado da matriz elétrica francesa. Na prática, os imóveis aquecidos por eletricidade frequentemente ganham uma classe energética. Um apartamento classificado como F pode passar para E, e um G para F.
Para os locadores, a consequência é direta: imóveis que teriam sido afetados pela proibição de locação permanecem no mercado de aluguel. O perímetro dos imóveis proibidos para locação se reduz mecanicamente, o que altera a oferta disponível nas cidades com alta demanda.
No lado dos compradores, observa-se uma mudança de comportamento. Alguns imóveis elétricos desvalorizados em 2024-2025 recuperam valor sem que o proprietário tenha realizado qualquer trabalho de renovação. As negociações sobre as casas ineficientes em termos de energia se tornam mais difíceis: um vendedor agora pode recusar uma desvalorização se seu imóvel foi reclassificado.

Por outro lado, os imóveis aquecidos a gás ou óleo não se beneficiam dessa reclassificação. A diferença de preço entre imóveis elétricos e imóveis a energia fóssil tende a aumentar ainda mais nos próximos meses.
Volumes de transações e taxas de crédito imobiliário: onde está a recuperação
A recuperação se manifesta de forma desigual. Várias grandes cidades, como Lyon e Marselha, mostram sinais de retomada, mas em ritmos diferentes.
O que ainda freia os compradores
- As taxas de crédito imobiliário, mesmo em queda em relação ao pico de 2023-2024, permanecem em um nível que exclui uma parte dos compradores de primeira viagem das áreas com alta demanda
- O mercado de imóveis novos enfrenta dificuldades para se recuperar após dois anos de crise na construção
- A incerteza sobre as normas energéticas leva alguns compradores a adiar suas aquisições na expectativa de que o quadro regulatório se estabilize
A qualidade do imóvel, sua etiqueta de energia e sua localização pesam mais do que nunca na decisão de compra. Não se raciocina mais apenas em termos de preço por metro quadrado.
Mercado imobiliário das cidades médias contra grandes metrópoles em 2026
O mercado imobiliário francês não pode ser visto como um bloco homogêneo. Paris, Lyon e Marselha atraem a atenção da mídia, mas as dinâmicas mais interessantes muitas vezes ocorrem em outros lugares.
Nas metrópoles, a alta dos preços recomeça timidamente em alguns bairros bem servidos. Os apartamentos próximos ao transporte público e com um bom DPE encontram compradores rapidamente. As casas na primeira coroa continuam sendo procuradas, com prazos de venda encurtando.

Nas cidades médias, o retorno dos compradores ocorre em condições diferentes. Os imóveis reformados com um DPE favorável são vendidos pelo preço, enquanto as casas ineficientes em termos de energia sofrem desvalorizações que podem atingir várias dezenas de milhares de euros. O fosso entre um imóvel classificado como B e um classificado como F não para de aumentar.
O novo encontra um público específico
Os compradores de primeira viagem estão voltando para o novo, atraídos pelas mudanças no Prêt à Taux Zéro. A oferta de imóveis novos aumenta enquanto as vendas permanecem em queda, criando oportunidades de negociação em alguns programas. Os desenvolvedores oferecem descontos ou cobrem parte das taxas de notário para escoar seus estoques.
Esse segmento continua frágil. Os custos de construção não diminuíram, e as margens dos desenvolvedores estão se comprimindo nos programas em andamento.
Regulamentação e calendário das proibições de locação: o que muda concretamente
A lei Climat e Résilience impõe um calendário progressivo de proibição de locação para os imóveis mais consumidores de energia. Os imóveis classificados como G já estão incluídos. Os imóveis classificados como F seguirão nas próximas etapas.
Com a reclassificação DPE de 2026, uma parte dos imóveis sai do perímetro de proibição sem necessidade de obras. Para os outros, a restrição permanece integral. Os locadores que possuem imóveis aquecidos a gás classificados como F ou G devem antecipar obras de renovação energética ou considerar a venda.
- Os proprietários de imóveis elétricos reclassificados ganham tempo e podem adiar as obras
- Os proprietários de imóveis a energia fóssil permanecem sob pressão regulatória imediata
- As copropriedades representam um caso particular: iniciar uma renovação global requer uma votação em assembleia geral, o que prolonga os prazos por vários meses, ou até anos
O calendário regulatório cria dois mercados paralelos: aquele dos imóveis em conformidade, líquidos e valorizados, e aquele dos imóveis a serem renovados, desvalorizados e mais lentos para vender. Antes de qualquer compra ou investimento locativo, verificar a classe DPE e o modo de aquecimento do imóvel condiciona a rentabilidade real do projeto.



